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Refluxo Gastroesofágico

 

A doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) é afecção de grande importância médico-social pela elevada e crescente incidência , e por determinar sintomas de intensidade variável que se manifestam por tempo prolongado, podendo prejudicar a qualidade de vida das pessoas.

A DRGE pode ser definida como como o movimento retrógrado do conteúdo gástrico através do esfincter inferior do esôfago, por longos períodos e com frequência aumentada. O refluxo não necessariamente é patológico , pois pode ser demonstrado em pessoas normais. Estes episódios podem ocorrer após refeições e não causam sintomas, e são de curta duração. Porém durante o sono é infrequente. O refluxo patológico entretanto é caracterizado por freqüentes episódios de refluxos de longa duração . Refluxos patológicos podem ocorrer principalmente à noite (refluxo supino) , durante o dia ( refluxo ortostático) ou durante ambos , noite e dia (refluxo combinado).

O organismo possui vários mecanismos de contenção do refluxo

gastroesofágico. São mecanismos anatômicos, funcionais e fisiológicos.

A incompetência de um ou mais mecanismos de defesa é responsável

pelo refluxo do conteúdo gastroduodenal em maior ou menor intensidade. Portanto a doença é multifatorial.

Estes episódios de refluxos em contato com a mucosa esofágica ( que não têm proteção contra ácidos e alcalinos ) por longos períodos produzem sintomas e inflamação denominada esofagite de refluxo.

O quadro clínico consiste dos sintomas de : Pirose (queimação), dor torácica, salivação intensa, disfagia (dificuldade para engolir), regurgitação e manifestações secundárias pulmonares e otorrinolaringológicas.

A pirose é a manifestação mais frequente , consiste em uma sensação de queimação retroesternal de natureza intermitente , algumas vezes referida pelos pacientes como azia.

A dor torácica merece atenção especial pelo diagnóstico diferencial com a dor proveniente de processos isquêmicos coronarianos ( infarto agudo do miocárdio e angina).

A disfagia pode indicar a presença de diminuição da luz esofágica em graus variados, sugerindo um comprometimento maior do órgão.

Um ponto importante gerador de confusão conceitual é o papel da hernia hiatal na doença do refluxo gastroesofágico. A hernia hiatal por deslizamento é na maioria dos pacientes , mais um achado anatômico do que uma entidade clínica , já que não necessariamente condiciona o aparecimento do refluxo gastroesofágico.

Deve-se ser lembrado, contudo que determinadas hernias podem alcançar proporções maiores e que as alterações mecânicas e funcionais que as acompanham, podem em alguns pacientes contribuir para a doença do refluxo. Por outro lado, portadores de hérnia hiatal por deslizamento que estejam com os mecanismos de defesa do refluxo gastroesofágicos íntegros , não apresentam refluxo gastroesofágico.

Portanto hérnia hiatal e doença do refluxo gastroesofágico são enfermidades distintas.

Vários fatores predispõe e propiciam a instalação transitória e/ou permanente da DRGE: Hernia hiatal (já comentado anteriromente); condições que elevam a pressão intra abdominal ( gravidez, ascite,obesidade, exercícios físicos intensos); úlcera péptica; esclerose sistemica progressiva; uso de sondas nasogástricas e enterais por longos períodos.

Um outro capítulo não menos importante desta doença são as alterações secundárias do refluxo, isto é as manifestações extra esofágicas da doença, a saber: pneumológicas e otorrinolarigológicas

O refluxo esôfagolaringeo foi primeiramente sugerido como um fator etiológico nas doenças da laringe em 1968 por Cherry e Margulies, os quais postularam que a acidificação da mucosa laringea pode ser um fator de ulceração e inflamação, provocando : Tosse crônica, rouquidão, cancer de laringe, estenose subglotica (estreitamento da traqueia), dor de ouvido e otite media.

As complicações pulmonares podem ser também muito graves : pneumonias de repetição, brocoespasmo (dificuldade respiratória ), asma, bronquites, traqueítes.

A maioria dos endoscopistas não atentam no momento do exame endoscópico para estas alterações, podendo passar desapercebida a doença, porque as alterações faringo-laringeas muitas vêzes aparecem antes das alterações esofágicas e não raramente na ausência destas, fato desconhecido por muitos.

Merece uma referencia particular o refluxo nos pacientes pediátricos. Nas duas últimas décadas , refluxo gastroesofágico tem sido comprovado com relativa frequência em crianças, graças ao conhecimento das suas diferentes formas de manifestação clínica e a indicação de procedimentos diagnósticos bem definidos.

Embora tido como fisiológico no primeiro ano de vida , em face da imaturidade e consequente incompetência do esfincter inferior do esôfago, estudos têm demonstrado que o refluxo crônico do conteúdo gastroduodenal para o esôfago em crianças pode ser causa de desnutrição ,retardo do crescimento, anemia, aspiração recorrente, broncopneumonia, asma, esofagite, estenose do esôfago (estreitamento ), parada respiratória e também relacionada com a síndrome da morte súbita em lactentes.

Nas crianças os sintomas de refluxo são mais dificeis de identificar e os mais mais comuns são: vômito,dor torácica, irritabilidade, recusa alimentar, arrotos, soluços, pneumonias de repetição, otites, apneia, estridor, rouquidão, asma, bronquites e bradicardia.